A humanidade, desde o seu início, caminhou para a dependência
em alto grau dos objetos que a envolvia a cada era. Tal caminhada foi marcada
pela falsa sensação de que os homens detinham toda a soberania com relação aos
instrumentos que eles mesmos criavam. Pode-se citar alguns objetos que exemplificariam
perfeitamente a lógica em pauta: a lança, através da qual os primitivos caçavam
seu alimento, o papiro, que revolucionou a escrita, a comunicação, a formulação
das leis e consequentemente toda a civilização, as máquinas, que são
fundamentais para a dinamização da produção industrial e consequentemente do
sistema financeiro, as armas, através das quais os países vencem guerras e
concretizam sua soberania sobre o planeta, e, por fim, os computadores e
celulares, que permitem que o homem tenha a sensação de deter todo o
conhecimento existente na ponta de seus dedos. A partir de tantos exemplos e da conclusão de Vilém Flusser sobre os objetos serem resultado da animação programadora do comportamento humano, pode-se afirmar que de fato há uma soberania de manuseio e comando humano sobre os aparatos objetivos, mas esses possuem uma vantagem muito mais poderosa e decisiva para a revolução citada no texto: a soberania psicológica. Ou seja, à medida em que as técnicas humanas para a criação de novos objetos se aperfeiçoam, mais necessidades do indivíduo surgem na mente do homem e se petrificam na forma de uma dependência absurda aos instrumentos que ele mesmo criou. Dependência esta que subestima a verdadeira capacidade de funcionamento natural do organismo humana fazendo com que ele use o carro para ir até a esquina de sua casa.
Outra reflexão interessante sobre o texto de Flusser, foi o questionamento final da Giovana Lemos: "Mas será mesmo a revolução dos objetos capaz de colocar por terra tudo isso que, até então, só pode ser compreendido pela consciência humana?". Tal questionamento deixa claro a ameaça da soberania dos objetos também sobre as esferas culturais, subjetivas e sensíveis dos homens, como as artes plásticas, literatura e arquitetura.
Outra reflexão interessante sobre o texto de Flusser, foi o questionamento final da Giovana Lemos: "Mas será mesmo a revolução dos objetos capaz de colocar por terra tudo isso que, até então, só pode ser compreendido pela consciência humana?". Tal questionamento deixa claro a ameaça da soberania dos objetos também sobre as esferas culturais, subjetivas e sensíveis dos homens, como as artes plásticas, literatura e arquitetura.
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