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Praça Dr. Prado: algumas considerações

   A Praça Dr. Prado em Diamantina foi nosso lugar escolhido para colocar em prática os trabalhos desenvolvidos na viagem. Ficamos encarregados de explorar o local de diversas formas e meios possíveis, assim, criando um repertório de apropriação da praça. Foram desenvolvidas performances, croquis de observação e uma planta baixa, levantamentos altimétricos utilizando o esquema de vasos comunicantes, medidas planas, triangulações, fotos do local, entrevistas com residentes. E além disso tudo, não podemos esquecer que permanecemos na praça durante 3 dias, assim, tivemos a oportunidade de vivenciá-la como espaço de interação, sendo tal interação bem explorada ou não. Captamos desde aspectos físicos- como texturas - até aspectos subjetivos como a experiência espacial e impactos sociais. Conseguimos adquirir este segundo aspecto através das entrevistas. Tentamos obter uma abertura para um diálogo não tendencioso; que nos mostrasse ao máximo a interferência da praça na dinâmica da região e como ela auxiliava ou não na criação de um espaço favorável à rotina dos conterrâneos. 
   A experiência que tivemos na praça Dr. Prado foi  paradoxal. Ao mesmo tempo que havia a satisfação de execução das tarefas que estava atrelada ao nosso primeiro contato com um levantamento e imersão em um espaço, foi um grande incômodo permanecer tanto tempo na praça. Pele descascando, olhos cansados devido à claridade que o concreto branco proporcionava e a sensação estar fazendo uma exploração em algum tipo de deserto ou ambiente extremamente seco nos acompanharam todos os dias. 
   É inquietante a ideia de que um espaço tão amplo em uma comunidade, aparentemente, tão integrada; com costumes pontuais e característicos possua essa frieza em aspectos visuais e presenciais. Um espaço nada acolhedor em meio a tantas casas com um estilo semelhante e tão aconchegante quanto o barroco. Quase a expressão degradante de um estilo minimalista, branco/cinza, reto, geométrico, que chega a se assemelhar a um pátio de prisão.
   Dessa forma, não foi difícil surgir um incômodo que impulsionasse a ideia e vontade de mudança. A população possui o direito de um espaço de convivência agradável, sendo ele de permanência ou não. Apesar de termos percebido, através das entrevistas, que havia um certo apego emocional ao local por parte de alguns moradores antigos, surgiram também afirmações do péssimo aspecto que a praça trazia para a região. E, além disso, a dinâmica do espaço por nós observada só nos confirma a incapacidade, atribuída à Praça Dr. Prado, em acolher e integrar da melhor maneia possível, levando em consideração o seu potencial.

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